Peça teatral faz integração entre usuários da saúde mental brasileira e italiana

O projeto tinha como objetivo contribuir com o acesso à cultura, nas áreas de música, cinema e teatro numa convivência com pacientes, trabalhadores e comunidade.

A peça teatral ‘Azul como Liberdade’, construída coletivamente entre pacientes gaúchos e italianos desde fevereiro, encerrou o projeto para um grande público que lotou a tenda branca armada no pátio do Hospital.



O espetáculo teatral foi realizado numa parceria entre a academia italiana de teatro Della Follia, formada por ex-pacientes de uma instituição manicomial extinta na Itália, com os pacientes do São Pedro e da rede de saúde mental do Estado.

“Eles têm o corpo institucionalizado. São vidas de quase 40 anos dentro de uma instituição. Alguns tomam medicação psiquiátrica que deixa o corpo todo enrijecido. O desafio foi trazer, com um olhar de fora, um corpo presente, fazendo os que não falam voltar a falar, puxando a voz interior ou mesmo o silêncio de quem não falava mais, porque não tinha mais com quem falar”, revela Carolina Pomer, que ensaia o grupo. O espetáculo emocionou o público. “As histórias de vida deles já são peças inteiras, quase filmes que colocamos em cena. Se tu colocas isso em peça, alguns acham exagero, mas é a pura realidade”, conta.

O diretor Financeiro e de Relações com o Mercado da Eletrobras CGTEE, Clovis Ilgenfritz, acompanhado da filha foi um dos que se emocionaram com a apresentação teatral. “Este tipo de iniciativa faz a gente sentir mais força, foi uma bela apresentação que humaniza a vida”, afirmou.

Além do teatro, o Projeto Reciclagem de Emoções, selecionado pelo edital de 2012, também teve o show Xaxados e Perdidos e fundou um cineclube que vai ter sessões com convidados e debates para pacientes, funcionários e comunidade durante todo o ano.

Para que não assistiu ao espetáculo teatral será reapresentado nesta quinta-feira (23/05) às 19h30 na Casa de Cultura Mario Quintana. A entrada é franca.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 10% da população global têm sofrimento mental e 3% terá sofrimento psíquico grave persistente em algum momento da vida.

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