Eletrobras repete orçamento recorde em 2015

A reestruturação dos processos empresariais, a readequação dos custos em relação às receitas e a otimização dos esforços entre as empresas Eletrobras, questões que já vinham sendo tratadas nos últimos anos, serão intensificadas em 2015. O ano que se encerra é um exemplo de como esses processos estão sendo implementados e têm rendido frutos à empresa.

A partir do ano que vem, a empresa terá uma importante ferramenta de planejamento, que vai auxiliar a companhia a enfrentar os desafios futuros, o Plano Estratégico do Sistema Eletrobras 2015-2030, aprovado por seu Conselho de Administração no fim de novembro. O plano propõe uma visão ousada para a empresa: estar entre as três maiores empresas globais de energia limpa e entre as dez maiores do mundo em energia elétrica, com rentabilidade comparável às melhores do setor e sendo reconhecida por todos os seus públicos de interesse.


Balanço de 2014


Dos R$ 10,2 bilhões realizados até novembro, R$ 5,2 bilhões foram em investimentos corporativos, nos quais possui propriedade integral, e R$ 5 bilhões por meio de Sociedades de Propósito Específico (SPEs), divididos entre geração (R$ 5,7 bi), transmissão (R$ 3,7 bi), distribuição (R$ 600 milhões) e demais (R$ 200 milhões).

Além de números expressivos, 2014 foi profícuo para a Eletrobras em termos de reconhecimento. Pela terceira vez consecutiva, a Eletrobras foi listada no Dow Jones Sustainability Emerging Markets Index, índice composto por 86 empresas, sendo apenas 17 brasileiras e somente três do setor de energia elétrica. Além disso, pelo oitavo ano seguido, a Eletrobras integra o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa). A carteira, válida até janeiro de 2016, reúne 51 ações de 40 companhias.

Essas conquistas traduzem o empenho da Eletrobras em promover continuamente o aprimoramento de suas práticas empresariais, pautadas pela ética, pela transparência e pela responsabilidade social e ambiental. As ações da Eletrobras também são reconhecidas na imprensa. A revista Época Negócios incluiu a Eletrobras no ranking das 100 maiores marcas de prestígio do Brasil – a marca da empresa é a mais bem avaliada no setor de energia e a 64ª do ranking geral.

Internacionalmente, a companhia também vem conquistando o respeito dos maiores players globais de energia, tendo sido escolhida para exercer, por meio do presidente José da Costa Carvalho Neto, a presidência rotativa do Global Sustainable Electricity Partnership (GSEP), que reúne as maiores empresas de energia elétrica do mundo. Entre outras responsabilidades, essa escolha implica na realização de três eventos do GSEP em solo brasileiro. O primeiro ocorreu em outubro, em Foz do Iguaçu. Os demais serão em março de 2015, em Recife, e junho de 2015, no Rio de Janeiro.

No âmbito da reestruturação da Eletrobras, foi aprovada, pelo Conselho de Administração, a criação da Diretoria de Assuntos Regulatórios, em maio. Os objetivos da diretoria são acompanhar a tramitação de leis e regulamentos e as demandas inerentes ao marco regulatório do setor; coordenar o relacionamento das empresas Eletrobras com as principais instituições do setor elétrico; e promover ações para mitigar o risco regulatório e institucional das empresas Eletrobras. O cargo foi assumido pelo ex-presidente da Eletrobras Eletronorte, Josias Matos de Araujo.


Geração


A previsão atual de crescimento da capacidade instalada da Eletrobras até 31 de dezembro de 2014 é de aproximadamente 1.609,1 MW, o que representa 26% do crescimento de 6,2 GW previsto para o país. Até novembro, a capacidade instalada da Eletrobras aumentou 1.546,2 MW.

As empresas Eletrobras entraram na geração solar com o pé direito em 2014. Em junho, a Eletrobras Eletrosul inaugurou a usina Megawatt Solar, de um projeto que transformou a sede administrativa da empresa, em Florianópolis, em um complexo de geração fotovoltaica – o maior da América Latina integrado a um edifício. A usina Megawatt Solar é capaz de produzir energia suficiente para atender a aproximadamente 540 residências. O projeto contou com a parceria do banco de fomento alemão KfW, que financiou o empreendimento – o investimento total foi de R$ 9,5 milhões –, e  com o o apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina (Ideal) também participaram da concepção e viabilização da planta. Com potência instalada de 1 megawatt-pico (MWp), a usina Megawatt Solar pode produzir aproximadamente 1,2 gigawatts-hora (GWh) de energia por ano.

Além deste marco na geração solar no Brasil, a empresa Eletrobras Furnas saiu vitoriosa, por meio do consórcio Novo Oriente, no qual detém 49,9% das ações, na disputa pela outorga de concessão da usina hidrelétrica Três Irmãos, em São Paulo, que antes do fim da concessão pertencia à Cesp. Localizada no rio Tietê, no município paulista de Pereira Barreto, o empreendimento entrou em operação em 1993 e conta com capacidade instalada de 807,5 MW, suficientes para atender o consumo de três milhões de pessoas por ano.

Em seu balanço geral, a Eletrobras, de forma individual ou por meio de SPEs, possui empreendimentos contratados em construção ou a iniciar, que incorporarão à matriz brasileira, até 2019, cerca de 22,4 GW, em sua maioria oriundos de fontes de energia limpa e renovável.  Desse total, a Eletrobras é responsável por 12 GW, dos quais 2,3 GW são de empreendimentos de sua propriedade integral, enquanto 9,7 GW correspondem à parcela proporcional da participação da empresa em SPE. Esses investimentos deverão levar a capacidade instalada da companhia dos 43 GW, em dezembro de 2013, para 56,4 GW em 2019.

Além disso, a Eletrobras possui estudos de inventário, viabilidade e projeto básico que totalizam 23,1 GW, com previsão de investimentos da ordem de R$ 81,2 bilhões.


Transmissão


No balanço geral, a Eletrobras, de forma individual ou por meio de SPEs, possui empreendimentos contratados, em construção ou a iniciar, que vão incorporar ao SIN, até 2019, cerca de 13,5 mil km de linhas de transmissão.  Desse total, a Eletrobras é responsável por cerca de 8 mil km, dos quais 2,79 mil km em empreendimentos de sua propriedade integral e 5,1 mil km correspondem à parcela proporcional da participação da empresa em SPEs. Até outubro de 2014, os empreendimentos com atuação da Eletrobras agregaram 854 km ao SIN.

O grande destaque neste ano na área de negócio de transmissão ficou por conta da vitória do consórcio formado pela Eletrobras - por meio de suas controladas Eletrobras Furnas (24,5%) e Eletrobras Eletronorte (24,5%) - e a empresa chinesa State Grid Brasil Holding (51%) no sistema de transmissão do Complexo Hidrelétrico (CHE) de Belo Monte, no Leilão de Transmissão promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no início do ano.

O sistema de transmissão permitirá o escoamento da energia do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte ao Sistema Interligado Nacional (SIN) por meio de um sistema de transmissão em extra-alta tensão em corrente contínua de ± 800 kV, inédito no país. O circuito é composto de duas estações conversoras de corrente alternada 500 kV para corrente contínua ± 800 kV. A primeira terá capacidade de conversão de 4.000 MW e será construída na Subestação de Xingu (500 kV), localizada a 17 km da usina, que se conecta à interligação Manaus – Tucuruí; a segunda terá capacidade de conversão de 3.850 MW e será construída na área contígua à Subestação Estreito, em Minas Gerais. A Linha de Transmissão Xingu-Estreito (± 800kV) ligará as duas estações e terá 2.092 km, cruzando os estados de Pará, Tocantins, Goiás e Minas Gerais.

No leilão realizado em 18 de novembro, a Eletrobras Eletrosul foi a principal vencedora, arrematando sozinha o principal lote do leilão (A), incluindo seus quatro sublotes. Os empreendimentos do lote A compreendem 2,2 mil quilômetros de linhas de transmissão, nove subestações novas e ampliação de 13 unidades existentes, com investimento total de R$ 3,27 bilhões e Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 336 milhões. Os empreendimentos desse lote promoverão uma expansão no sistema de transmissão do Estado do Rio Grande do Sul de 53% em linhas de transmissão em 525 kV, 10% em linhas de 230 kV e 20% em capacidade instalada em subestações, de modo a viabilizar o escoamento de energia de futuros parques eólicos no Rio Grande do Sul, onde a Eletrosul é a maior investidora com a implantação dos complexos Cerro Chato e Campos Neutrais, bem como assegurar a qualidade e a confiabilidade no fornecimento de energia elétrica no estado.

Pelo Consórcio Paraíso, formado em parceria com a Elecnor e Copel, a Eletrosul arrematou também o lote E. Com investimentos de R$ 196 milhões, o conjunto de obras é composto por uma subestação, duas linhas de transmissão que totalizam 265 quilômetros e 300 MVA de capacidade de transformação no Mato Grosso do Sul, que vão contribuir para a melhoria do atendimento pela distribuidora local e viabilizar o escoamento do potencial de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) da região Nordeste do estado.

Para 2015, o grande destaque será a conclusão das obras da interligação Brasil-Uruguai em 500kV. A previsão é que até o fim do primeiro semestre do próximo ano, o Uruguai já esteja sendo abastecido com energia brasileira através desta linha. A Eletrobras e a Eletrobras Eletrosul são responsáveis pela construção das obras no lado brasileiro, que é constituído de: ampliação da subestação Presidente Médici, ponto de conexão no SIN e pela construção de uma nova subestação elevadora de Candiota (230kV/525kV). Já estão concluídas a linha de 230 kV e de três quilômetros de extensão, que vai levar energia entre as subestações de Presidente Médici até Candiota, e a linha de 500kV e 60 quilômetros de extensão, que segue de Candiota até a cidade de Aceguá, na fronteira com o Uruguai. A Eletrosul irá operar esses ativos após a conclusão das obras. Para se ter uma ideia da magnitude dessa obra, ela é capaz de suprir perto de um terço da demanda por energia do Uruguai. Foram investidos pela Eletrobras R$ 128 milhões de reais nesse empreendimento.


Distribuição


As distribuidoras da Eletrobras, localizadas nos estados do Amazonas, Acre, Alagoas, Piauí, Rondônia e cidade de Boa Vista (RR), investiram R$ 600 milhões até novembro de 2014. No ano que termina, foram construídas quatro novas subestações e instalados mais de 9.500 quilômetros de redes. As distribuidoras obtiveram um acréscimo de 130 mil novos clientes até novembro, passando para 3.934 milhões. O Piauí representou o maior crescimento, com 37.145 novos clientes.

A evolução do indicador PMSO/ROL (Pessoal, Material, Serviço e Outros sobre Receita Operacional Líquida), que recuou de 41,6% em 2013 para 27,5% em outubro de 2014, demonstra um significativo avanço de melhoria operacional e de gestão das empresas. A inadimplência teve um decréscimo ao longo do ano, saindo de 14,6% para 13,7% em outubro de 2014, já as perdas caíram de 30,7% para 29,7% durante o mesmo período, fruto da aplicação de inovações tecnológicas e do combate sistemático às fraudes, desvios e furtos de energia. Os índices de FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) também caíram em relação a 2013.

Os principais destaques no período foram as obras para a interligação do Sistema Manaus ao SIN, que estão em fase de conclusão; os prêmios IASC da Aneel recebidos pela Eletrobras Distribuição Acre e pela Eletrobras Amazonas Energia, um reconhecimento dos consumidores da melhora do desempenho das distribuidoras; a conclusão dos sistemas de subtransmissão para a região norte do Piauí; e a realização, pelo Projeto Energia+, de várias licitações, nacionais e internacionais, que proporcionarão investimentos em 2015 de mais de R$ 500 milhões em equipamentos, serviços, obras e solução de medição avançada de alta tecnologia, lastreados por empréstimo obtido junto ao Banco Mundial.


Atuação internacional


O ano de 2014 marcou o fortalecimento da atuação internacional da Eletrobras. Destaca-se o avanço da parceria com a empresa estatal uruguaia, Administración Nacional de Usinas y Trasmisiones Eléctricas (UTE) na SPE Rouar S.A. Em janeiro de 2014, foram iniciadas as obras do Parque Eólico Artilleros (65,1MW), localizado em Tarariras, departamento de Colonia, a cerca de 170 quilômetros de Montevidéu. A conclusão das obras e entrada em operação comercial completa dos 31 aerogeradores está prevista para o primeiro semestre de 2015.

Além disso, o Conselho de Administração aprovou, em 14 de novembro, aporte de US$ 100 milhões ao longo de dois anos, para iniciar a construção da hidrelétrica de Tumarín, na Nicarágua. O empreendimento, em parceria com a Queiroz Galvão, tem capacidade instalada de 253MW e vai gerar, em média, 1.184 GWh/ano, o que deverá significar cerca de 21% da demanda da eletricidade da Nicarágua em 2019, quando as obras devem estar concluídas, bem como vai substituir parte da energia elétrica de fonte térmica à óleo, dominante no país centro-americano, contribuindo para uma matriz energética mais limpa e renovável.

A companhia vem realizando diversos estudos para o desenvolvimento de usinas hidrelétricas binacionais com a Argentina (Panambi e Garabi), além de empreendimentos e sistemas de interconexão elétrica com Peru, Bolívia e Guianas, de forma a atender a demanda crescente de energia elétrica entre os países. A empresa avalia também, na África, alguns projetos hidráulicos de grande porte em parceria com empresas locais e globais, especialmente pelo considerável potencial hidrelétrico da região e a enorme carência de energia no continente.


Eficiência Energética


O tema eficiência energética também colheu boas notícias na Eletrobras. O Mundial de Futebol realizado no Brasil contou com a participação do Procel: o estádio Arena das Dunas, palco de quatro partidas daquela que foi considerada a Copa das Copas, foi o primeiro estádio do Brasil a receber a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia PBE Edifica. A certificação faz parte da parceria entre o Inmetro e a Eletrobras, por meio do Programa Procel Edifica, que cuida da eficiência energética de edificações.

 Couberam à Eletrobras os investimentos pioneiros que viabilizaram a estruturação deste processo no país. A Classificação Geral A, alcançada pelo estádio Arena das Dunas, teve os níveis de eficiência analisados por especialistas do LabCon, da Universidade Federal do Rio Grande Norte, que integra a Rede de Eficiência Energética em Edificações (R3E). A auditoria foi feita por inspetores da Fundação CERTI, de Santa Catarina, que emitiu a etiqueta.

Aproveitando o sucesso dessa e de outras iniciativas no campo das edificações, a Eletrobras lançou, no fim de novembro, o Selo Procel Edificações, para indicar as construções que apresentarem os mais altos níveis de eficiência energética. As edificações equivalem hoje a 48% do consumo nacional de energia. O lançamento ocorreu junto com a cerimônia em homenagem aos 20 anos do Selo Procel.

O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica também foi homenageado internacionalmente. A Eletrobras recebeu o Prêmio de Reconhecimento pelos 30 anos de execução do programa durante o World Summit of Regions, em Paris. O evento foi organizado pela R20 – Regions of Climate Actions, entidade parceira da Eletrobras em projetos como energias renováveis e LED para a iluminação pública.


Informações da Assessoria de Comunicação da Eletrobras

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