Eletrobras CGTEE entrega Centro Cultural Candiota I

O projeto de restauração do prédio transformado em um espaço de cultura e lazer é dos arquitetos Magali Nocchi Collares Gonçalves e Márlon Lameira. A restauração e adequação ficou a cargo da Entel Construtora Transportes Ltda. No fórum foram tratados os seguintes assuntos: Projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, temas pertinentes à usina de Candiota, o projeto Quintais Orgânicos de Frutas, realizado em parceria com a Embrapa Clima Temperado, e o programam Jovem Aprendiz, em parceria com a Escola Técnica Mesquita e com as prefeituras. 

Neste dia foi dado início ao memorial de Candiota I, por meio da entrega de três fotografias da época da construção e da inauguração da usina. Quem tiver fotos, roupas, ferramentas ou objetos com valor histórico, pode colaborar fazendo a sua doação.

 A noite contou ainda com apresentação musical de Fábio Peralta (violão e voz), Júlio Pimentel (piano) e Cibele Martinez (voz).

 Íntegra da fala do presidente Sereno Chaise:

 “Estou muito feliz em estar aqui entregando simbolicamente para a prefeitura de Candiota, na figura do seu prefeito Folador, este espaço, esta usina cultural, espero que não só para os moradores de Candiota, mas para toda a região.

Daqui a doze dias, este espaço, se continuasse como uma usina térmica, estaria completando cinquenta e três anos.

Quando o presidente João Goulart desembarcou na Campanha gaúcha, naquele 22 de dezembro de 1961 - para inaugurar a termelétrica Candiota Um, trazia algumas convicções muito claras.

No seu discurso chamaria a atenção para o fato de que nenhum País se industrializa e se ergue do atraso sem o suporte da energia.

Diria ainda que o Rio Grande do Sul havia sentido a necessidade de “defender sua economia e o bem-estar de seu povo”, o que deveria ocorrer “dentro de uma política de emancipação nacional”.  

Naquele começo de verão – as palavras de Jango não aludiam apenas à nova usina. Na véspera, ele estivera em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Ali lançou a pedra fundamental da Refinaria Alberto Pasqualini. A Refap.

Então, ao falar em energia como motor da industrialização, do progresso e do conforto, ele não se reportava a uma obra pontual. E quando explicitava a defesa da economia e a emancipação nacional, tornava-se evidente a percepção de que todas estas coisas caminham juntas.

Tratava-se de uma concepção de governo. A industrialização não se poderia alcançar sem energia, igualmente o bem estar da população estava intimamente ligado a uma política de emancipação e à defesa da economia nacional.

Sabia que, estratégico como era e continua sendo, o setor energético deveria estar sob o controle de seu próprio povo.  

Agora, 53 anos depois de Jango e daquele antigo verão no Sul do Rio Grande, é reconfortante perceber que a geração de energia – após longos, porém distantes anos - voltou a ser olhada pelos mesmos olhos. Que pressentem que o setor necessita da presença protagonista do Estado e do controle da sociedade. Porque é crucial para produzir o avanço econômico, que emancipa e promove o bem estar geral.

Quero aqui fazer um enlace entre passado e presente. Primeiro para a luta vitoriosa para realizar Candiota Um. Para aqueles homens e mulheres e, imagino as dificuldades dos que iniciaram aquela importante tarefa/ um agradecimento sincero e fraterno. Que enfrentaram tempos difíceis. Mas que se valeram da solidariedade para sobrepujar todos os obstáculos e fazer história.

Segundo a um grande brasileiro, ainda não totalmente reconhecido, na história recente do nosso País: Jango. João Goulart não era um revolucionário. Tampouco, era tolo ou tíbio.  Buscou alcançar seus propósitos de governo sem alterar, por meios ilícitos, as estruturas vigentes. Foi um grande homem que sabia que o melhor do Brasil é o brasileiro. João Goulart representa a democracia e merece servir como inspiração para as gerações futuras.

O Brasil se consolida neste início do século XXI como uma das maiores democracias e uma das maiores economias do mundo, e como a única potência emergente no Ocidente. A emergência do Brasil tem muitas implicações e, a depender da nossa lucidez na condução política dessa evolução, pode significar muito para nosso futuro.

Este espaço continuará sendo dos brasileiros. A cultura é uma dimensão incontornável da nação, um componente central de qualquer estratégia sustentável de construção do país. E, por ser tão importante, deve ser tratada como um direito de todos os brasileiros.

A dimensão cultural é essencial para a qualificação das relações sociais e para reforçar a coesão social. E, também amplia as possibilidades de realização da condição humana de cada um dos brasileiros.

Escolher o que ver, ouvir e sentir, é papel do cidadão. Criar condições de acesso, produção, difusão, preservação e livre circulação, regular as economias da cultura para evitar monopólios, exclusões e ações predatórias, democratizar o acesso aos bens e serviços culturais; isso é papel do Estado. Este também é o nosso papel.

Obrigado”

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